mal-escritos de um pseudo-intelectual semi-analfabeto

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segunda-feira, 30 de novembro de 2009

O engano


Como podemos nos enganar a si próprios durante tanto tempo, durante tantos anos, achar que uma coisa é outra durante tanto tempo. Para depois perplexos com nossa cegueira descobrir a verdade(?), ou apenas descobrir o engano? Claro que não existe a verdade... Mas como las brujas... jo non creo; pero que las hay, las hay! Assim é com a verdade, ela fica oculta por anos sem que nunca nos demos conta dela.. para em um dia normal como qualquer outro surgir em nossa cara como uma assombração. Somos tão cegos para o engano que na maioria das vezes o “erro”, fica ali nos acenando em gestos em atos em sentimentos mostrando sua presença fatal que impede que tudo prossiga... pois estamos enganados estamos errados e nada vai dar certo no final... somos tão ridículos que o “erro” as vezes só de sacanagem senta em nosso colo e ficamos todos contentes achando que finalmente nossa antiga conclusão vai se mostrar correta. Mas como é bom ver a cara feia da verdade, ver como essa é decadente e desencantada... a magia é algo fantástico sobretudo quando ela se quebra. Quando ela acaba.. e então finalmente podemos enxergar o “erro” como erro... Para assim livres podermos buscar outros tantos erros que estão ai espalhados pelo mundo... a vida é erro(s) no plural não insista no mesmo erro.. Viva a vida errática!

Sobre a insignificância

Parado em pé em cima da árvore eu pendia nas folhas_ balançava conforme o vento_ as cerdas nas pontas de minhas patas se agarravam firmemente aos poros das folhas sobre a quais eu me apoiava. Minhas asas em ressonância ao vento, em repouso, vibravam sutilmente em um tempo oposto ao chacoalhar da folhagem ao vento de forma a estabilizar todo o meu corpo nessa dança fluida entre a árvore e o vento onde sou apenas um adereço_ penso_ Como é bom ser um inseto...

o adeus-se

..e então, evadiu-se de si mesmo... para nunca mais voltar...

são as entranhas?

Estranho minha estranheza ser estranhada por uma estranha... Devem ser as entranhas...

triste calmaria

Novos cheiros são como a brisa fria que sopra do sul e fazem as naus escaparem da calmaria: mesmo o oceano às vezes é um deserto.

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Dobra molhada.

O aconchego, quentinho, a pele suada colando e descolando seus poros molhados no ritmo da respiração. Isso é muito bom! Toda pele no fundo é pública! Toda pele é política!
No entanto existem as noites frias. É sempre necessário que uma pele em toda sua vastidão aprenda a dobrar-se sobre si mesma, pois nem todas as noites são mágicas o suficiente para que estas vastas terras tenham a oportunidade de se explorar. Esse é um dos segredos da solidão, saber dobrar-se sobre si, o segredo da solidão é o segredo da dobra.
Quando duas peles reconhecem o poder da dobra uma na outra, quando solitários se encontram, uma grande potência irrompe desse encontro, quando a dobra se dobra sobre outra dobra, novos territórios surgem. Inóspitos esses desertos, prontos para serem povoados por potências inéditas e desconhecidas fluxos indizíveis de fluídos afetivos que jorram transbordando e transformando esse deserto de sal num oceano de crustáceos saborosos e sábios cetáceos que migram se alimentando em torno de paradisíacos arquipélagos.
Assim é preciso à potência do pirata que quer a aventura livre e o gozo dos saques, a coragem moura do ibérico que se arremessa num horizonte sem fundo ou a proliferalidade chinesa que consegue povoar até mesmo a superfície do mar.
A tormenta, o mar instável e revolto, difícil de ser navegado, que nos causa enjôo e vertigem, que não nos deixa plenamente à vontade, que nos traz medo e insegurança faz parte da verdadeira aventura da dobra. A calmaria só deve vir depois da tempestade, ai sim ela pode ser quentinha, úmida e tranqüila como uma calmaria tropical que se completa ascendendo um cigarrinho.

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

A noite da morte da dor.

É nas noites mais tenras
Que a alma pequena
Aparece
E nos rouba a cena

É nas noites mais tenras
Que a triste solidão condena
O amor triste que envenena

Parado sólido fantasma
A nos assombrar em nossa imersão
Sai fantasma
Sai assombração

É nas noites mais tenras
Que se goza a solidão

No inverno gelado
Ainda existe a imensidão

Mas o frio o maior castigo
Aflito me deixa
No final da minha deixa
Sozinho na sarjeta

Mesmo o calor do meu fogo
Não apazigua a alma
Sentada no chão

Frio e duro
De uma rodoviária
Em eterna construção

É nas noites mais tenras
Que dói a solidão

Ali parado
Eterno forte e amargurado
Seu fígado condena
Sua alma ainda plena
Faz vistas a uma pequena
Que confusa serpenteia
Em meio à multidão

É nas noites mais tenras

Que nosso amor
Dói sem razão

No fundo do teu olho
Vejo a beleza
Do poro da tua pele

Poro porosa
Respira o ar

Mas o fantasma
Sempre a te sufocar

É nas noites mais tenras
Que se morre ao luar