mal-escritos de um pseudo-intelectual semi-analfabeto

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quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

fora do tempo

A inaptidão que tenho para comigo mesmo é a inaptidão que tenho para com o instante. Não sei como ser no instante, ser no instante é sempre uma tentativa frustrada. Sempre habito um pouco do passado ou do futuro, ou mesmo um pouco dos dois simultaneamente de uma forma meio oscilativa.
Talvez na realidade não exista lugar para o ser no instante, e por isso talvez eu cause tanta estranheza quando habito plenamente o instante: Porque nesse momento eu não sou. Assim pareço infantil, criança mesmo.. ou animal, bicho... As pessoas não sabem lidar com o não-ser, o Ser não sabe lidar com o não-ser. Para ele o não-ser, que não faz sentido mesmo, é bizarro. O que é bizarro pendula entre o assustador e o engraçado, de qualquer forma o sentimento é de repulsa... é pura agressão não-ser...
O não-ser também guarda um sentimento de repulsa e desprezo diante do Ser, mas para ele, o não-ser, esse sentimento brota e se faz presente na forma de gesto, de corpo... mesmo que seja um gesto interno..”intestinal”...É porque o Ser sempre que se faz percebível ao não-ser é para enquadrá-lo para retirar sua potência, para defini-lo no tempo e no espaço, o Ser sempre exige algum sentido do não-ser, ou seja, ele exige que o não-ser... seja.. O “Ser” sempre quer que o “não-ser” também “seja” um outro “Ser”, isso pela sua frustração e inveja de nunca poder ser o Ser no instante, nuca habitá-lo nunca senti-lo... Porque o instante não é tempo.... e o Ser só existe no Tempo...

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

_

Minhas costas estão tensas

Tensa as minhas costas

Sentenças...

de dor

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

O engano


Como podemos nos enganar a si próprios durante tanto tempo, durante tantos anos, achar que uma coisa é outra durante tanto tempo. Para depois perplexos com nossa cegueira descobrir a verdade(?), ou apenas descobrir o engano? Claro que não existe a verdade... Mas como las brujas... jo non creo; pero que las hay, las hay! Assim é com a verdade, ela fica oculta por anos sem que nunca nos demos conta dela.. para em um dia normal como qualquer outro surgir em nossa cara como uma assombração. Somos tão cegos para o engano que na maioria das vezes o “erro”, fica ali nos acenando em gestos em atos em sentimentos mostrando sua presença fatal que impede que tudo prossiga... pois estamos enganados estamos errados e nada vai dar certo no final... somos tão ridículos que o “erro” as vezes só de sacanagem senta em nosso colo e ficamos todos contentes achando que finalmente nossa antiga conclusão vai se mostrar correta. Mas como é bom ver a cara feia da verdade, ver como essa é decadente e desencantada... a magia é algo fantástico sobretudo quando ela se quebra. Quando ela acaba.. e então finalmente podemos enxergar o “erro” como erro... Para assim livres podermos buscar outros tantos erros que estão ai espalhados pelo mundo... a vida é erro(s) no plural não insista no mesmo erro.. Viva a vida errática!

Sobre a insignificância

Parado em pé em cima da árvore eu pendia nas folhas_ balançava conforme o vento_ as cerdas nas pontas de minhas patas se agarravam firmemente aos poros das folhas sobre a quais eu me apoiava. Minhas asas em ressonância ao vento, em repouso, vibravam sutilmente em um tempo oposto ao chacoalhar da folhagem ao vento de forma a estabilizar todo o meu corpo nessa dança fluida entre a árvore e o vento onde sou apenas um adereço_ penso_ Como é bom ser um inseto...

o adeus-se

..e então, evadiu-se de si mesmo... para nunca mais voltar...

são as entranhas?

Estranho minha estranheza ser estranhada por uma estranha... Devem ser as entranhas...

triste calmaria

Novos cheiros são como a brisa fria que sopra do sul e fazem as naus escaparem da calmaria: mesmo o oceano às vezes é um deserto.

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Dobra molhada.

O aconchego, quentinho, a pele suada colando e descolando seus poros molhados no ritmo da respiração. Isso é muito bom! Toda pele no fundo é pública! Toda pele é política!
No entanto existem as noites frias. É sempre necessário que uma pele em toda sua vastidão aprenda a dobrar-se sobre si mesma, pois nem todas as noites são mágicas o suficiente para que estas vastas terras tenham a oportunidade de se explorar. Esse é um dos segredos da solidão, saber dobrar-se sobre si, o segredo da solidão é o segredo da dobra.
Quando duas peles reconhecem o poder da dobra uma na outra, quando solitários se encontram, uma grande potência irrompe desse encontro, quando a dobra se dobra sobre outra dobra, novos territórios surgem. Inóspitos esses desertos, prontos para serem povoados por potências inéditas e desconhecidas fluxos indizíveis de fluídos afetivos que jorram transbordando e transformando esse deserto de sal num oceano de crustáceos saborosos e sábios cetáceos que migram se alimentando em torno de paradisíacos arquipélagos.
Assim é preciso à potência do pirata que quer a aventura livre e o gozo dos saques, a coragem moura do ibérico que se arremessa num horizonte sem fundo ou a proliferalidade chinesa que consegue povoar até mesmo a superfície do mar.
A tormenta, o mar instável e revolto, difícil de ser navegado, que nos causa enjôo e vertigem, que não nos deixa plenamente à vontade, que nos traz medo e insegurança faz parte da verdadeira aventura da dobra. A calmaria só deve vir depois da tempestade, ai sim ela pode ser quentinha, úmida e tranqüila como uma calmaria tropical que se completa ascendendo um cigarrinho.

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

A noite da morte da dor.

É nas noites mais tenras
Que a alma pequena
Aparece
E nos rouba a cena

É nas noites mais tenras
Que a triste solidão condena
O amor triste que envenena

Parado sólido fantasma
A nos assombrar em nossa imersão
Sai fantasma
Sai assombração

É nas noites mais tenras
Que se goza a solidão

No inverno gelado
Ainda existe a imensidão

Mas o frio o maior castigo
Aflito me deixa
No final da minha deixa
Sozinho na sarjeta

Mesmo o calor do meu fogo
Não apazigua a alma
Sentada no chão

Frio e duro
De uma rodoviária
Em eterna construção

É nas noites mais tenras
Que dói a solidão

Ali parado
Eterno forte e amargurado
Seu fígado condena
Sua alma ainda plena
Faz vistas a uma pequena
Que confusa serpenteia
Em meio à multidão

É nas noites mais tenras

Que nosso amor
Dói sem razão

No fundo do teu olho
Vejo a beleza
Do poro da tua pele

Poro porosa
Respira o ar

Mas o fantasma
Sempre a te sufocar

É nas noites mais tenras
Que se morre ao luar

domingo, 27 de setembro de 2009

Sobre o que não pode ser visto.

Existia um olho que ficava em um cego que ficava em uma praça. Este cego que nunca viu, pois era cego de nascença, afirmava que seu olho esquerdo não lhe pertencia, lhe havia sido presenteado por um importante rei caolho, que por sua vez o tinha herdado de um grande místico hebraico, o qual o tinha encontrado duzentos anos antes, em baixo de uma pedra no Egito.
No entanto era um olho, e como qualquer outro olho, olhava. O que diferenciava este olho de qualquer outro olho é o que este olho via. Talvez por uma grande maldição agregada ao olho ou apenas uma grande ironia do destino, a única coisa que este olho podia ver era justamente aquilo que não podia ser visto.
O cego, como era cego, não podia ver nem mesmo aquilo o que não podia ser visto. Mas ele sempre sabia que o olho estava olhando o que não era para ser olhado. Assim o cego sempre praguejava:
_Maldito olho! Já vai começar a olhar o que não é para ser olhado. Ainda bem que sou cego. Porque se não estaríamos perdidos, pois o que não pode ser visto estaria sendo visto e o mundo inteiro viraria um grande caos. Que fardo pesado este que eu tenho que carregar!
Por sua vez o olho também odiava o cego. Já que este passava os seus dias sentado na mesma praça e nunca proporcionava ao olho novas paisagens para que o olho procurasse nelas o que não podia ser visto. O olho, assim, também praguejava o cego:
_Maldito cego, passa todos os seus dias e noites nesta mesma maldita praça, nunca me proporciona novas possibilidades de ver o que não se pode ver. Ver o que não pode ser visto em novos horizontes, diferentes a cada dia. Ver o que não se pode ver em situações diversas, em corpos diversos. Ver o que não se pode ver em movimento... Como eu gostaria de ver o que não se pode ver andando de moto... Destino desgraçado! Fez-me vir a habitar justamente a órbita ocular de um cego! Eu aqui me esforçado para ver tudo aquilo que não pode ser visto e não tenho com quem compartilhar, vivo neste mundo solitário e tedioso onde quase todas as coisas que não podem ser vistas eu já vi e tudo isso apenas para manter a ordem em um mundo onde as coisas mais importantes para serem vistas são justamente aquelas que não se pode ver... Que sina terrível esta de ser o olho de um cego.
Quarenta anos depois, o olho já tinha visto tudo o que não podia ser visto a partir daquela praça, já tinha visto o que não podia ser visto das pedras da praça, já tinha visto o que não podia ser visto das árvores daquele local, já tinha visto o que não podia ser visto dos bancos da praça, do céu, do dia e da noite, das casas, do ar, o olho já tinha visto tudo o que não se podia ver. Até mesmo o que não se podia ver do cego que o portava, inclusive por dentro, pois quando o cego dormia o olho aproveitava para dar uma espiadinha no que não podia ser visto por dentro do cego.
Foi quando o cego morreu. Antes de morrer, agonizando e se retorcendo no chão, uma grande felicidade o invadia, pois ele sabia que os seus longos anos de guardião do terrível olho estavam por terminar. No entanto ele também sabia que tinha que resistir, pois não podia morrer sem passar seu fardo para um próximo na linha de sucessão, aquela era a sina do olho, ele deveria ser passado adiante e ninguém poderia olhar por ele. Mas quem? Perguntava-se o cego, quem seria digno de tal sina? Com a agonia da morte cada vez mais próxima o cego decidiu optar pelo destino, entregaria o olho ao primeiro que viesse em seu socorro. Assim começou a gritar por ajuda, o primeiro a aparecer foi um jovem menino que passava por ali:
_ O senhor necessita de ajuda? Vou chamar ajuda!
Disse o menino. Já virando o rosto buscando não ver a cena daquele pobre moribundo agonizando.
_ Não! Volte!
Gritou o cego com suas últimas forças.
_ Menino, pobre menino, o destino lhe enviou para esta minha última hora. Tenho algo para lhe dar. Vê este meu olho esquerdo?
O menino acenou afirmativamente com a cabeça.
_Vê?!
Insistiu o cego, já que este não tinha como ter visto o gesto do garoto.
_Sim! Eu vejo!
Respondeu o garoto já bastante atordoado pelos fatos.
_ É uma pena que veja... Respondeu o cego. _Esperava que o destino me enviasse alguém cego para que eu pudesse passar meu fardo, isso apenas aumentará o tamanho do fardo que passo adiante. Pois bem, este meu olho esquerdo não é um olho qualquer ele é um olho que vem sendo passado a gerações, e você garoto! Será o próximo guardião do olho, este olho é um olho que vê tudo aquilo que não pode ser visto, portanto, preste muita atenção! Nunca, nunca olhe por este olho porque o que não pode ser visto é para não ser visto e assim deve continuar, entendeu garoto? Caso você olhe por este olho o que não pode ser visto terá sido visto e o mundo inteiro entrará em um caos completo!

Com suas últimas forças, antes de morrer, o cego arrancou seu olho esquerdo e entregou para o menino. O olho, antes disso nem tinha prestado muita atenção no menino, pois estava fortemente entretido vendo aquilo que não podia ser visto da morte do cego.
O menino com o olho em mãos e as pesadas palavras do cego em sua mente correu para casa se esquecendo até mesmo de tentar socorrer o cadáver que ali jazia. Chegando rapidamente em casa, o menino entrou em seu quarto, trancou a porta, fechou as janelas e olhou para o olho, no mesmo momento o olho olhou firmemente para tudo aquilo que não podia ser visto no olho daquele jovem menino. Eles ficaram ali por horas: o menino olhando para o olho e o olho olhando para o menino. Foi Quando o menino em um súbito movimento, motivado por uma grande curiosidade que tomava conta de seu corpo inteiro, principalmente de seus olhos, pegou o olho e deixando de lado todas as advertências do cego, olhou por ele.
Depois desse dia o menino, o olho e o mundo nunca mais foram os mesmos, pois finalmente tudo aquilo o que não podia ser visto, foi visto, e assim se tornando outra coisa que não aquilo o que não pode ser visto. Logo, tudo foi outra coisa que não a coisa mesma e sim algo diferente.
Fim.

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

texto tosco, feito nas toras, inacabado e mal escrito, se vc não gosta de erros de gramáitca,,, FODA-SE .. E NÃO LEIA!

Eu quero destruir eu quero me destruir. Escrever assim alucinadamente às vezes pode parecer fácil, no entanto é necessário um extremo momento de paralisia, algo em si deve parar para que algo flua, e pensar sobre isso e continuar escrevendo apenas torna esse exercício de imobilidade mais difícil e doloroso. Hoje estive deprimido, é pior isso apenas faz com que a minha vontade de autodestruição diminua, não tenho forças para me odiar quando estou deprimido. Não querer existir é bem diferente de querer destruir a si mesmo.. Escrever assim.. Como o estou tentando fazer, aquela paralisia da qual falei é como um momento de autodestruição. A escrita só ferve quando se demoli algo dentro de si... Hoje eu acordei sem pensar em muita coisa.. Apenas aquele mesmo sentimento ainda estava lá.. E aquela dúvida.. Porque até mesmo em meus sonhos vc costuma fugir de mim.. Eu já te dei prazeres em meus sonhos, prazeres delicados em ônibus lotados revestidos de azul na madrugada... Saber bater em alguém é algo muito importante para um intelectual contemporâneo assim ele pode perder a paciência mais facilmente. O filme clube da luta, não é apenas algo que se da em um sentido figurado, somos todos desterrados e nada como uma boa murraca na cara em um momento de delírio complacente para poder parar de se ter pena de si mesmo.. nada como ameaçar ou mesmo espancar um imbecil ao invés de tentar demonstrar a valorosa retórica universitária vencendo um debate de idéias que por mais diabólico que possa ser ainda é sempre doméstico... eu odeio o doméstico.. Tudo que cheira a doméstico é o que há de mais desprezível no mundo... por isso eu odeio casais.. O casal é a estrutura mais comprometida com a manutenção dos medíocres modos atuais de vida.. o casal impede os bandos, o casal impede a livre manifestação dos sentimentos, o casal impede a livre troca de calores e odores, o casal é tudo que o estado quer, tudo que a globo e a record querem.. Os casais assistem filmes juntos no final de semana.. Os casais ficam em casa, os casais ajudam a aliviar o desespero e a angústia da mediocridade diária.. Isso é algo que nunca deveria ser aliviado nunca deve ser esquecido.. Só deixe de pensar nisso quando estiver correndo nú pelo cerrado bem doido de pinga e cogumelos.. Neste momento quando vc e o seu bando, que pode ser apenas vc mesmo, escalarem o topo da arvore mais alta e tortuosa que encontrarem e o vento soprar no sentido Sul, urine lá do alto e espalhe o seu odor aos ventos essa será a forma de escrita mais bela que vc pode experimentar.. e que com certeza, será bem mais lida... além de, claro, ter uma variedade e qualidade de leitores muito superior que esta bosta desse texto terá.. em toda sua existência... eu te odeio, eu exalei os meus cheiros mais exóticos e especiais e vc não teve a sutileza olfativa para apreciá-los, eu apreciei com muito entusiasmo seus fortes e selvagens odores de cadela solta e vc não reconheceu minha perícia nem as habilidades mágicas necessárias em tal ato.. eu vi além do seu olhar o que está para ser demolido em seu ser... escancarei para o seu olhar crítico como o de uma águia tudo aquilo de mais podre e baixo que há em mim.. mas vc não entendeu preferiu os muros brancos e bem pintados, as fachadas bem formadas e resolvidas, vc abdicou da tormenta do caos confuso intrigante que gera náuseas aflição e agonia, vc abdicou do oculto do que não está ai ainda... do explosivo por vir.. que só se pode perceber pelo eriçar dos pelos encatarrados da narina esquerda.. mais o meu desejo continua a devorar e demolir za si próprio e assim cada vez está mais forte.

segunda-feira, 27 de abril de 2009

Deserto.

Ellav é um príncipe nômade, chefe de um grande clã de bandidos. Poderia roubar ou mandar roubar qualquer uma das grandes maravilhas do grande e majestoso deserto.
No entanto, o deserto, está vazio..

domingo, 26 de abril de 2009

O Oco.

O vazio invadiu a mente de Zajrof.
Bem no momento em que este pôs-se pronto para libera-lá.
Seu último pensamento antes de sofrer seu esvaziamento foi:
_Pronto, agora estou livre pra imaginar qualquer coisa!..